Pus meu sonho num barquinho – Expedição Ribeirão das Flores

Somos navegantes de barquinhos de papel com uma tripulação de sonhos.
E sempre dispostas a desbravar novas águas ocultas, logo aceitamos o convite do Sesc Bauru para integrar parte da programação do mês  “Água: eu preciso e você também” .
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intervenção Pus meu sonho num barquinho – Expedição Ribeirão das Flores

Embarcamos felizes nesta nova missão de realizar uma oficina com uma versão colaborativa da intervenção Pus meu sonho num barquinho. E assim, mergulhamos curiosas em pesquisas sobre a região, visitamos Bauru acompanhadas pela Mariana Fessel (Sesc Bauru) e conversamos com a querida Giselda (DAE).

A cidade de Bauru se organiza em torno das bacias dos rios Batalha (captação de água) e Bauru (descarte do esgoto).

Bauru e afluentes (fonte: lua8design.blogspot.com)

Já de início ficamos encantadas pelo nome poético do Ribeirão das Flores e conforme nos aprofundamos nas pesquisas, este rio se revelou um exemplo da delicada relação entre cidades e rios, crescimento urbano e água. Muitos foram os fatores que determinaram a escolha deste ribeirão como local para nossa intervenção, entre eles:

1. Importância histórica
o Ribeirão das Flores é um afluente importante do rio Bauru e foi ao redor deles que nasceu a cidade.

2. A nascente
o córrego nasce no mais belo cartão-postal da cidade, o Parque Vitória-Régia.

Parque Vitória-Régia (foto:@thedeiwz – Flickr)

3. O curso
o ribeirão é completamente oculto e corre por baixo de uma das mais importantes avenidas da cidade: Av. Nações Unidas.  E sua canalização é recente, data da década de 70.

4. A foz
o córrego deságua no mais importante rio da cidade (rio Bauru) no encontro das Avenidas Nações Unidas e Nuno de Assis.

Dividido em dois o Ribeirão das Flores deságua no rio Bauru (fonte: DAE Bauru)

5. Situação Atual
o Ribeirão e a avenida possuem graves problemas de enchente e com projetos ainda indefinidos de resolução.

Alagamento na Av. Nações Unidas (foto: Douglas Reis – Jornal da cidade Bauru)

Assim, decidimos o local, calculamos o material, organizamos a oficina e partimos. Desembarcamos no Sesc Bauru na manhã do dia 13 de junho cheia de barquinhos e sonhos recolhidos através da nossa página do Facebook.

O dia estava lindo e jovens musicais, portando violões e com ouvidos muitos atentos, nos receberam para apresentarmos nossas pesquisas, dúvidas e ideias… O projeto para intervenção foi abraçado com muita animação. Papéis em branco começaram a ser dobrados, os sonhos foram revelados e quando vimos a mesa já estava coberta de barquinhos!

E, como num vento inesperado, os participantes se lançaram em novas rotas e se transformaram em Catadores de Sonhos. Seguiram ao encontro de desconhecidos munidos de barcos de papel e canetas coloridas.

– Qual seu sonho? – perguntavam.

Na timidez da resposta confessavam eles mesmos seus próprios sonhos e na cumplicidade deste gesto nossa frota sonhadora só cresceu!

Foi comovente observar a generosidade de se abrir ao outro através do seu sonho e doar sua atenção ao escutar, se interessar e conhecer o sonho alheio.

Depois dessa coleta inicial, ainda dentro do Sesc Bauru, rumamos para o Parque Vitória Régia. Catando sonhos e recolhendo pesadelos (lixo local), definimos em conjunto qual seria o trajeto da nossa expedição: partiríamos do palco central do parque e dali seguiríamos em direção a nascente.

E assim, foi! Barquinhos pelas arquibancadas, fotógrafos amadores, músicos ao violão, catadores de sonhos, colaboradores anônimos, curiosos contadores de histórias. Nesta expedição todo mundo tinha espaço.

Quanto maior nossa onda de barcos ficava, maior era a surpresa de quem a construía. A correnteza deste rio invisível nos levou a um menino que nos disse não ter sonhos. Mas, não acreditamos e, conversa vai, conversa vem, ele ganhou confiança e disse: – Meu sonho é ter um xBox …

O menino começou a sonhar, tomou coragem e colou um pequeno barquinho no chão. De barquinho em barquinho, de sonho em sonho, de partilha em partilha o menino virou Capitão e desenhou o final da nossa trajetória cheia de curvas, com barquinhos em guias, postes, gramas e árvores!

E foi ele, o menino tímido, sem sonhos, quem colocou lá no alto o último barquinho… o mais próximo da nascente que revelava à todos: AQUI NASCE UM RIO!

A beleza estava na música do violão, no céu azul, em cada sonho, cada dobra de papel, cada colaborador, em cada gesto de aproximação, em cada escuta, em cada convite. Quando nos demos conta, as horas já haviam passado, mas por ali ficamos neste navegar cheio de amor!

Guardaremos para sempre a imagem deste caminho de barcos brancos atravessando o verde do parque! Uma expedição inesquecível, onde todo sonho cabe, todo rio é navegável, todos são convidados e todo amor é compartilhado!

Obrigado a todos por este grande aprendizado!

Confira as fotos aqui.

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Um Comentário

  1. Rosana Padial

    Gente, que pena não ter sabido disso… Não sei porque mas as informações não circularam…Que pena

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