“ Lá que eu quero morar”

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Quando convidadas pelo projeto Centro Aberto (http://gestaourbana.prefeitura.sp.gov.br/centro-aberto/) para fazermos uma intervenção artística, a imagem da CASA nos veio de imediato talvez pelo fato de São Paulo ser a nossa casa ou pelo bairro do centro conter a primeira casa e de onde se construiu toda esta cidade.  A idéia se reforçou em nossa visita técnica ao local, marcada pela destruição do dia anterior resultado da  reintegração de posse de um antigo hotel abandonado invadido pelo movimento dos sem teto.

Afinal, o que faz da CASA algo tão importante e necessário ao homem?

Não é de hoje que nos interessamos por CASA.

Somos fascinadas por seus elementos físicos: tijolos largos, azulejos decorados, janelas articuladas, portões de ferro rendados, fechaduras e chaves gigantes, pisos de tacos gastos.

Somos curiosas pelo seu carácter social e investigamos quando e quem a construiu, quantos já viveram nela, quem partilhou deste espaço, quem plantou a roseira do jardim.

Somos quietas e emocionadas diante do seus tempos que mancharam as tábuas do piso, trincaram paredes revelando as tantas camadas de tintas, das chuvas e sol envergando telhados, da ferrugem corroendo o guarda-corpo da sacada.

Somos crianças quando nos deparamos com a força de seu símbolo,  com tudo aquilo que uma CASA representa para o homem e que segundo dizem, está registrado nos pontos mais profundos e antigos do oceano da imaginação humana.

Procuramos a CASA além de sua forma ou arquitetura…

CASA como abrigo, o refúgio que procuramos para nos protegermos.

Casa como marco de território,  como se o homem ao habita-la lhe desse significado.

CASA como mundo pessoal, espaço interior onde se guarda experiências e memórias,  que somadas ao corpo constrói a nossa identidade.

Na construção destas tantas CASAS, recordamos de um poema presente em um  livro infantil  que nossas mães, coincidentemente, leram aos seus filhos.

Sonhávamos e ainda sonhamos com este “último andar”…

…….

 

“O Último Andar”

Cecília Meireles

No último andar é mais bonito:
do último andar se vê o mar.
É lá que eu quero morar.

O último andar é mais longe:
custa muito a lá chegar.
Mas é lá que eu quero morar.

Todo o céu fica a noite inteira
sobre o último andar.
É lá que eu quero morar.

Quando faz lua, no terraço
fica tudo luar.
É lá que eu quero morar.

Os passarinhos lá se escondem,
para ninguém os maltratar,
no último andar.

De lá se avista o Mundo inteiro,
tudo parece perto, no ar.
É lá que eu quero morar:
no último andar.

……

A intervenção “ Lá que eu quero morar” é uma porta aberta lúdica.

Um passeio entre as 50 casas feitas de papelão e embalagens diversas,  penduradas em árvores e dependências do Largo de São Francisco (centro de São Paulo) no dia 16 de outubro de 2014.

CASAS imaginadas flutuam sobre o largo, disponíveis a qualquer um que queira levar consigo um lar.

CASAS abertas, destrancadas e vulneráveis a ocupação.

Um chamado para divagar sobre CASAS a sua, do vizinho e de qualquer um e sobre a cidade e seu crescimento desordenado.

O uso da poesia visual em cada detalhe resgata memórias individuais e amplia a visão sobre a CASA e o morar, envolvendo também o universo infantil, seus sonhos pequeninos e seu futuro incerto no balançar entre as árvores de uma grande cidade.

…..

 

Sugestão de trilha sonora enquanto se vê as fotos:

https://www.youtube.com/watch?v=E05F80MgopQ

 

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  1. Ana Alade Amaral

    vcs são ótimos, sempre.

    Date: Sun, 26 Oct 2014 13:20:11 +0000 To: anaalmaral@hotmail.com

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